Família Ricasoli – Itália
Vinícola Barone Ricasoli, fundada em 1141 d.C. – vinho e azeite de oliva
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A Vinícola Barone Ricasoli, localizada em Gaiole in Chianti, na Toscana, é a quarta empresa familiar em atividade mais antiga do mundo e a vinícola mais antiga da Itália. Atualmente, a 32ª geração da Família Ricasoli administra essa verdadeira essência do Chianti Clássico.
Desde o reinado de Carlos Magno, os exércitos da Família Ricasoli defenderam Florença em inúmeras batalhas contra Siena, o que lhes valeu o mais elevado grau de reconhecimento feudal, a outorga de terras e, no século X, o título nobiliárquico de Barone. Testemunhos escritos, datados de 1141 d.C., atestam que, já nessa época, produziam vinho e detinham a posse do Castello di Brolio, com palácio e jardins.
O castelo, muitas vezes atingido nessas guerras, foi totalmente destruído pelos exércitos de Siena por volta de 1500 d.C. e foi inteiramente reconstruído, erguido sobre um pedestal pentagonal de pedra, com o palácio principal de tijolos em estilo neogótico.

Na era renascentista, após séculos empenhados na defesa de terras de senhores feudais, os nobres Ricasoli dedicaram-se a desenvolver sua propriedade rural e à produção de vinhos.
Na primeira metade do século XIX, os franceses eram protagonistas no mercado de vinhos. Essa liderança motivou o Barone Bettino Ricasoli, o lendário “Barão de Ferro”, a realizar pesquisas para criar um vinho de alta qualidade e competir no mercado internacional. Seu objetivo: fazer o vinho perfeito.
Após trinta anos de pesquisas, experimentações e mais de 60 cartas trocadas com o professor Cesare Studitia, da Universidade de Pisa, o Barone Bettino Ricasoli estabeleceu a “fórmula do Chianti”, reunindo os aromas e a estrutura da Sangiovese (70%), a maciez da Canaiolo (20%) e a Malvasia (10%) – hoje chamado de Chianti Clássico. Usando a melhor uva produzida em Chianti, e como não havia regras na época, ele simplesmente as criou e afirmou: “É assim que o vinho deve ser feito”. Seu vinho rapidamente alcançou prestígio em todos os mercados internacionais.
Também figura influente na unificação da Itália, Bettino Ricasoli foi primeiro-ministro por duas vezes. Deixou a política e seguiu trabalhando em Brolio.

As mudanças econômicas e sociais do pós-guerra, no século XX, trouxeram repercussões negativas de grandes perdas financeiras, confisco de propriedades e mudanças dos hábitos agrícolas. Embora mantendo as terras, a família Ricasoli perdeu o controle de sua empresa no início dos anos 70 e precisou vender a marca e os vinhedos para a gigante Seagrams, que os revendeu para a australiana Hardy’s. As duas companhias aumentaram a produção, reduziram a qualidade, transformaram a marca Ricasoli em produto de massa nas prateleiras dos supermercados e ao final dos anos 80, os guias de bons vinhos sequer mencionavam seus rótulos. A empresa estava praticamente falida.
Reflexões contemporâneas
Essa queda acontece… e levanta algumas questões:
- A imagem de uma família pode ser restaurada após o colapso de seu negócio?
- Como definir a estratégia de recuperação e lidar com o preconceito sobre o background?
- É possível unir tradição e modernidade sem perder a essência?
“A vida da minha família é um ativo intangível, é assim que posso defini-lo, mesmo que as autoridades fiscais não o considerem como tal.” — Barão Francesco Ricasoli
Francesco Ricasoli, tataraneto do “Barão de Ferro”, nunca tivera interesse em viticultura ou enologia e, desde jovem, construiu carreira como fotógrafo profissional, trabalhando para marcas consagradas da moda, como Salvatore Ferragamo e Valentino. Caçula de quatro irmãos, era adolescente quando seu pai vendeu a empresa e, no início dos anos 90, na iminência de a família perder tudo, tomou algumas decisões. No espaço de um mês, fechou seu estúdio fotográfico, vendeu os equipamentos e, exercendo seu direito de preferência, recomprou a empresa. Foi racional, tinha clara compreensão do imenso risco dessa operação e, com pouco dinheiro, adquiriu um negócio completamente arruinado, mas com grande potencial – não sem antes firmar um acordo com seu pai para decidir tudo que julgasse necessário com total liberdade, sem qualquer interferência e com máximo poder.
“A visão veio mais tarde. No começo eu apenas tentava sobreviver para salvar o que tinha que ser salvo. Se tentasse correr atrás dos outros, estaria sempre atrasado. Tive de reinventar a companhia com algo ligado ao seu passado glorioso.” — Barão Francesco Ricasoli
Recomeçou tudo do zero, contando com a mentoria de um velho amigo de outra família histórica e com a assessoria de um renomado consultor empresarial. Iniciou a restauração estudando o solo, contratando o Centro Nacional de Pesquisa Geológica. Foram identificados 19 tipos diferentes em 5 macrotipos de solo: arenito, xisto, calcário, depósitos marinhos e, no fundo do vale, depósitos fluviais antigos. Essa diversidade forneceu a base para três vinhos, cada um refletindo seu tipo de solo: Barone Ricasoli Colledilà, Barone Ricasoli Ronicone e Barone Ricasoli Ceniprimo – todos Chianti Classico DOCG Gran Selezione.

As oliveiras sempre foram parte da agricultura no Chianti, a princípio como fonte indispensável de alimento. Em 1885, Giovanni Ricasoli Firidolfi, neto do Barão de Ferro Bettino, construiu um edifício destinado à produção de azeite. Centenárias, cultivadas sem o uso de pesticidas ou fertilizantes químicos, suas raízes crescem em três tipos de solo, nas bordas dos vinhedos e ao longo das estradas da propriedade, como guardiãs das videiras mais importantes.
Com o tempo, vieram as transformações. Mudaram os produtos, as pessoas, os sistemas de produção e a filosofia. Hoje se colhem os frutos de mais de 30 anos de trabalho. Entretanto, a luta requer muito esforço, muito trabalho e muita concentração – e continua, porque eles têm compromisso com a História.
“É interessante entender o esforço que eles faziam para melhorar e como a vontade deles era tão forte para fazer coisas melhores, experimentar e estar à frente de seu tempo.” — Barão Francesco Ricasoli, sobre seus antepassados.
Barão Francesco Ricasoli tem liderado a empresa com foco na investigação dos diversos solos, na sustentabilidade e na inovação, realizando a seleção clonal da uva Sangiovese para criar vinhos de maior complexidade e dotando a vinícola da mais atual tecnologia disponível. Mantém engajada uma equipe brilhante, indicando sua visão de futuro, desenhando estratégias e motivando de modo que todos se sintam parte da família.
Aos pés do Castello di Brolio, são 1.200 ha, sendo 240 ha de vinhedos e 26 ha de olivais, além de museu, restaurante, bar vintage, apartamentos para hóspedes, e, separadas do edifício principal, as antigas caves modernizadas. A recuperação estética e funcional dos espaços originais foi feita com organização moderna e tecnologia vanguardista.
Recompensado por restaurar a posição da família e consciente da importância histórica de seu papel, o Barão Ricasoli afirma que o Castello di Brolio não lhe pertence e assume, como dever social, avançar e continuar a ser um empregador.

Fontes:
– Mark H. Daniell and Sara S. Hamilton – Family Legacy and Leadership (John Wiley & Sons, 2010)
– William T. O’Hara – Centuries of Success (Adams Media, outubro 2003).
– 1_EN_ricasoli_ebook_eng_2022
www.henokiens.com
https://www.wine-conversation.com/conversations/great-wine-lives-francesco-ricasoli
https://www.youtube.com/watch?v=Z8sfIadZoFs
https://www.youtube.com/watch?v=IHU_tDqR2v4
https://www.youtube.com/watch?v=IHU_tDqR2v4
https://www.youtube.com/watch?v=yqcxOCBwzYE
https://www.aidaf.it/
https://www.ufficiocamerale.it/
https://www.unioncamere.gov.it
https://europeanfamilybusinesses.eu


